Santo remédio, destrutivo veneno – como evitar o desperdício e a contaminação do meio ambiente por medicamentos

Como cuidar para que o mesmo remédio que cura não contribua para intoxicar o planeta.

remedios

Em busca da cura para diversas doenças que atacam o ser humano e os animais domésticos ou exóticos que com ele convivem, foram desenvolvidas inúmeras substâncias conhecidas como remédios, medicamentos ou drogas. Mas essas mesmas substâncias ou compostos capazes de salvar uma vida, também podem contaminar o meio ambiente.

Essa contaminação da natureza é classificada de acordo com o local de ocorrência: águas de lençóis freáticos, águas de rios, águas oceânicas, sedimentos e solo.

Os pesquisadores alertam que cada quilograma de medicamento descartado no meio ambiente pode contaminar 450 mil de litros de água.

Há ainda o risco de este medicamento ir parar na mão de catadores de lixo e pessoas carentes e que sejam consumidos sem o devido cuidado, levando à intoxicação medicamentosa.

 

Formas de contaminação

Estudos revelam que existem algumas formas de contaminação ambiental por medicamentos mais comuns: descarte de sobras em lixo doméstico; eliminação de substâncias pela urina ou pelas fezes (entre 50% e 90% de uma dosagem é eliminada sem sofrer alterações e contamina o ambiente); utilização rural de antibióticos, agentes parasitários; e resíduos de aplicação de hormônios em rações.

Um exemplo de contaminação pela urina ou fezes é a presença do estrógeno, um hormônio feminino usado em anticoncepcionais e na reposição hormonal em seres aquáticos, levado por esgoto não tratado até rios, lagos e mares. O estrógeno causa a mudança de gênero (machos viram fêmeas) e o desequilíbrio da reprodução das espécies aquáticas.

O mesmo acontece com os antibióticos usados em animais para o abate ou produção, que ao atingir o solo e as águas produzem bactérias resistentes ao princípio ativo neles existentes que podem contaminar lavouras e criações e chegarem até os seres humanos por via oral, cutânea (pele) e pela respiração.

Outro meio de contágio que se estende também pelo solo é o descarte de sobras de remédios inadequadamente no lixo doméstico, na pia ou no vaso sanitário, levando a sérios problemas de saúde pública.

 

Como descartar corretamente

O Brasil Health Service criou o Programa Descarte Consciente para medicamentos, com o objetivo de coletar os remédios que não estão sendo usados ou estão vencidos em poder da população, evitando que eles sejam descartados incorretamente. A iniciativa tem validação da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) e é promovida em parceria com integrantes da cadeia produtiva farmacêutica.

No site do programa encontra-se uma lista de pontos de coleta em vários estados e municípios de todo o Brasil, bem como um vídeo explicativo do projeto.

É preciso levar a embalagem dos remédios para que se possa ter acesso ao código de barras e os procedimentos corretos para registro.

Os medicamentos recolhidos são incinerados ou levados para aterros sanitários especiais.

As caixas coletoras aceitam todo o tipo de medicamentos – pomadas e comprimidos, líquidos, sprays, caixas e bulas, com exceção de materiais como perfurocortantes (agulhas, lâminas etc.), que, por enquanto, só estão sendo recolhidos na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul pelo programa.

Ainda assim, as pessoas que fazem uso de seringas, agulhas, lâminas e demais materiais perfurocortantes devem adquirir em lojas de materiais hospitalares caixas coletoras de papelão e levá-las a hospitais e postos de saúde para o descarte correto.

 

Doação de medicamentos na validade

Outra dica importante é que se o seu medicamento ainda está na data de validade, você pode procurar uma instituição que aceite doação e redistribua para os mais necessitados.

Na cidade do Rio de Janeiro, o Banco de Remédios da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Previdência social no estado do Rio de Janeiro (Asaprev-RJ) aceita as doações e cadastra as pessoas que precisam receber. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) também aceita doação e distribuição de medicamentos.

 

Saiba mais

Consulte o site do Programa Descarte Consciente

Se você desejar se aprofundar no assunto, consulte as seguintes publicações nos sites:

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA) – Resolução RDC n.º 33, de 25 de fevereiro de 2003.

INSTITUTO AKATU – Descarte de Remédios: uma questão muito grave.

NOSSO FUTURO ROUBADO – Medicamentos contaminam a água

O DESCARTE DE MEDICAMENTOS VENCIDOS E OS ASPECTOS TOXICOLOGICOS DA INCINERAÇÃO Página 59 – Fernando Koshiba Gonçalves e Yoko Oshima-Franco, 2004.