Isopor – do vilão plástico ao composto versátil biodegradável

Novos projetos de fabricação do isopor biodegradável podem gerar substituto com larga utilização na indústria

O botânico e pesquisador Gregory M. Glenn do Western National Research, em Albany, Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolve uma pesquisa há mais de 20 anos que resultou na descoberta de como produzir isopor (eco-friendly foam ou biofoam) a partir do amido, capaz de substituir perfeitamente o tradicional feito do poliestireno expandido.

isoporA importância da descoberta está no fato de o novo tipo de isopor ser totalmente biodegradável e tão moldável e útil quanto seu irmão sintético. Os biofoams podem ser fabricados para uma variedade de densidades e podem ser cortados ou moldados em uma matriz aparentemente ilimitada de formas, tamanhos e espessuras.

 

 

Fazendo isopor a partir do amido ou a partir de raízes

O amido usado em sua composição é aquecido e misturado a outros elementos naturais da mesma forma que a produção convencional. Após serem extrudados, formam o chamado “fundido termoplástico”, que são depois cortados em pequenos pedaços e triturados em pérolas. Quando aquecidas, elas se moldam aos mais diferentes formatos. Os biofoams, entretanto, não são à prova de água, mas formam uma barreira contra a umidade.

Do outro lado dos Estados Unidos, em Nova York, Bayer e Gavin McIntyre desenvolveram um isopor feito a partir de pequenas raízes de fungos chamados micélio e resíduos agrícolas como a casca de arroz, trigo ou sementes do algodão.  Eles testaram essas raízes com diferentes produtos residuais. Em poucos dias, descobriram que as pequenas raízes dos fungos se transformavam em uma massa densa de fibras que dão ao composto um sustento estrutural.

O projeto foi o vencedor do prêmio “Desafio Verde” oferecido pela loteria holandesa Postcode, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de produtos que diminuam as emissões de gás carbônico (CO2).

 

Versão nacional do projeto de isopor alternativo – o uso do milho 

Caminhando na mesma direção dos projetos norte-americanos, o professor Luiz Henrique Catalani do IQ-USP, em parceria com colegas daquele país, desenvolveu um novo polímero (isosorbídeo) a partir de derivados do milho que pode ser usado na fabricação de plásticos ecológicos. Eles foram os ganhadores do prêmio Thomas Alva Edison de 2011, concedido pelo Conselho de Pesquisa e Desenvolvimento de Nova Jersey.

O  composto substitui resinas epóxi que compõem os plásticos rígidos usados em computadores, embalagens e revestimentos.

“Estamos propondo uma nova estrutura molecular correspondente ao bisfenol A para substituí-lo em resinas epóxi, que é o isosorbídeo”, disse. O novo polímero resultou em uma patente, registrada por Catalani e pelos outros três pesquisadores autores da descoberta: Anthony East, Michael Jaffe e Yi Zang, do NJIT.

Já produzido em escala comercial a partir do milho, o isosorbídeo também poderia ser obtido a partir de outras matérias-primas, como a cana-de-açúcar.

Catalani explica que o novo polímero derivado do isosorbídeo pode ser usado para desenvolver um suporte ao crescimento de diversos tipos de células, que representa o primeiro passo para se tentar produzir tecidos artificiais, como tecido ósseo ou para reconstituição de tímpano. Eles conseguiram desenvolver hidrogéis e podem funcionar como curativos inteligentes, realizando a liberação controlada de fármacos, como antibacterianos e antifúngicos.

Ficou interessado em saber mais sobre esses processos? Você pode consultar outras informações clicando aqui ou no link sobre como o isopor já está ganhando status no mercado de reciclagem.