A reciclagem na vida das pessoas

Lições de uma vida na prática do desenvolvimento sustentável

 

Vivemos em um mundo globalizado e dinâmico, rico em facilidades, informações, novidades e que gera nas pessoas uma grande vontade de consumir, de possuir  o que há de mais moderno.  Esse comportamento não nos permite refletir sobre o que consumimos e em como descartamos o que não nos é mais útil.

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 Quando comecei a me interessar pelo assunto de reciclagem, lembrei imediatamente de uma situação de minha infância e de uma pessoa em especial  – meu avô Álvaro.

Meu avô nasceu em 1902 aqui no Brasil, em uma família humilde de imigrantes portugueses. Viver  em nosso país foi difícil e exigiu muitos sacrifícios. Ele enfrentou duas grandes Guerras Mundiais e toda a escassez  que nosso país sofreu com o desvio de boa parte das colheitas e dos poucos produtos aqui industrializados  à época para a Europa. Também sobreviveu à gripe espanhola  do início do século XX.

Essas situações marcaram o meu avô e o fizeram racionalizar o consumo de tudo. Vamos aos exemplos.

O Vô Álvaro não jogava nada fora. Ele guardava tudo separado e ordenado – jornais, garrafas, sacos e bolsas de papel, latas (à época de metal), barbante (usado para embalar pão). Esses materiais eram vendidos aos comerciantes do bairro em que ele morava – os jornais e as sacolas iam para os mercadinhos e as padarias. As garrafas eram vendidas para as pessoas que faziam envazamento de doces, compotas, para embalar produtos de limpeza feitos em casa. As latas eram vendidas para os catadores. Quanto aos barbantes, ele fazia longos rolos de pedacinhos emendados e que ganhavam as mais diferentes utilidades – embrulhos, serviam para fixar bandeirinhas de festa junina, voltavam aos comerciantes para servir novamente na embalagem, costurar jornal.

Sim, pasmem, meu Vô costurava jornais! Ninguém lia um  jornal na casa dele antes que ele o costurasse todo, formando um grande caderno. Ele não suportava que despencassem ou sumissem com alguma parte!

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Mesmo móveis e outros objetos eram passíveis de reciclagem - do papelão, ele fazia práticas ventarolas (leques que não desmontam) ao colocar um cabo de finas sobras de madeira; caixotes viravam prateleiras; as roupas eram sempre transformadas – uma calça do meu avô virava um short para um dos filhos ou um saiote etc. Lençóis velhos viravam panos de chão.

De repente, me toquei que essas eram algumas práticas de desenvolvimento sustentável e consciência ecológica, claro – com forte motivação econômica –, noções que só entraram em “moda” a partir do final do século XX, mas que ele praticava desde criança!

A cada pesquisa que faço, essas lembranças povoam a minha mente e me fazem crer que é possível fazer disso um meio de vida – meu avô criou seis filhos e acompanhou o crescimento de seis netos sempre com a mesma filosofia durante os  94 anos em que esteve neste plano.

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Portanto, da próxima vez que você quiser comprar algo, pense em como você irá se desfazer dele mais

adiante. Crie esse bom hábito e faça da sua pegada ecológica um belo caminho a seguir na preservação do planeta!

 

Heloisa Brown